Falta de água não é culpa só da estiagem

Estudo feito em 1995 pela Agência de Cooperação Internacional do Japão (Jica), no governo Itamar Franco, apontava que, até 2015, Curitiba e Região Metropolitana tinham de aumentar sua produção de água em 8 mil litros por segundo, para dar conta de uma demanda de 15 mil litros pela expectativa de crescimento da população. Para isso diversos investimentos teriam de ser feitos. 

O plano de águas da prefeitura de Curitiba, atualizado no final de 2017, também estimava a necessidade de produção de pelo menos 12 mil litros por segundo em 2020. O principal reforço viria com a entrada em funcionamento da Barragem Miringuava, em São José dos Pinhais, prevista para ser terminada em 2016 e que acrescentaria 2 mil litros por segundo ao sistema. A obra ficou parada por muito tempo e ficará pronta, na melhor das hipóteses, em meados de 2021, sem ajudar na atual estiagem. 

A Sanepar não divulga os números atuais de produção total de água, mas sem a entrada de Miringuava e outras obras ainda não concluídas, calcula-se que o sistema produza, neste momento, abaixo de 10 mil litro por segundo. Insuficiente para abastecer os cerca de 3,2 milhões de habitantes das 11 cidades que compõem o chamado Abastecimento Integrado de Curitiba (Saic). 

Lucro X Investimento 

Embora anuncie que esteja investindo centenas de milhões de reais neste momento de estiagem e rodízio, a prioridade da Sanepar nos últimos anos não foi com sua atividade-fim, mas sim com a remuneração de seus acionistas. De 2011 a 2019, o lucro líquido da empresa aumentou quase 700%, e a distribuição de dividendos a acionistas cresceu cerca de 780%. Já o crescimento dos investimentos na melhoria e ampliação do foi de 150% no mesmo período, segundo números levantados pelo Dieese-PR. 

Situação dos reservatórios (27/10): 

Iraí, 15,6% 

Passaúna, 35,54% 

Piraquara 1, 24,23%

Piraquara 2, 49% 

Média geral, 27,96% 

Fonte: Brasil de Fato