Particularidades dos planos de governo dos candidatos à prefeitura

Os planos de governo dos candidatos à prefeitura de Curitiba têm muitas semelhanças: são propostas para melhorias no transporte público, nas unidades de saúde, na educação e ações para diminuir o desemprego e combater a violência. Mas, nos conteúdos publicados pelos próprios concorrentes em suas páginas, é possível encontrar algumas particularidades. A leitura de todos os documentos, totalizando centenas de páginas, rendeu alguns achados e até curiosidades: de socialista defendendo metrô a conservadora propondo orçamento participativo. Confira algumas das propostas.

Camila Lanes (PC do B)

Camila Lanes (PCdoB) traz com o slogan “O futuro se constrói agora”, a proposta de desprivatização dos serviços públicos como unidades de pronto atendimento, a descentralização da governança municipal dando maior autonomia às regionais incentivando a participação popular, propõe também a integração da capital com a região metropolitana, políticas sociais abrangentes com ênfase na educação – para a qual propõe uma Conferência para debater com a comunidade escolar o plano municipal de ensino, políticas ambientais como a ampliação de energias renováveis utilizando nossos lagos e represas, além de políticas para o pós pandemia como o programa de financiamento Coletivo Comunitário (Geração de Crédito Popular). 

Carol Arns (Podemos)

Caroline Arns (Podemos) chama seu plano de governo de “Curitiba para pessoas e para o futuro”, propondo um plano de zerar a tarifa de ônibus em linhas que atendem regiões de maior vulnerabilidade social, propõe ainda internet via wi-fi no transporte público inclusive nos terminais, o projeto seria viabilizado através de permuta com anunciantes interessados. Pretende ainda exigir, nas próximas concessões, que as empresas de ônibus adotem o modelo de sociedade de propósito específico, cuja atividade é bastante restrita, podendo em alguns casos ter prazo de existência determinado.

Christiane Yared (PL)

Christiane Yared (PL) usa o lema “Curitiba Cidadã”, enfatizando em suas propostas a causa animal, prometendo a construção do primeiro hospital público municipal veterinário, bem como a criação de um plano de saúde veterinário gratuito ou de baixo custo, subsidiado pelo município. Pretende ainda fazer o cadastramento, monitoramento, castraçãoe vacinação dos animais que acompanham moradores em situação de rua da cidade.

Eloy Casagrande (Rede)

Eloy Casagrande (Rede Sustentabilidade) traz o lema “Curitiba pode ser melhor…basta mudar” propondo um ambiente urbano saudável, moradia e mobilidade sustentáveis. Promete incentivos a políticas públicas que ampliem a capacidade do município de gerir a água pluvial, evitando crises ocasionadas por eventos climáticos como estiagem, cheias, enchentes, aquecimentos e frio extremos. Ele também propõe a criação de corredores verdes ecológicos com infraestrutura sustentável de lazer nos bairros, cita a implantação do IPTU verde, para estimular construções sustentáveis e a arrecadação de fundos para habitação sustentável de interesse social.
Fernando Francischini (PSL) pretende dar maior poder à Guarda Municipal, convertendo-a na primeira Polícia Municipal do Brasil. Pretende cumprir a promessa de tornar Curitiba a capital mais segura do país, integrando a nova Polícia Municipal aos órgãos de segurança estaduais, coordenando ações de inteligência com a utilização das câmeras da prefeitura e da iniciativa privada, para identificação facial e de placas de carro.

Fernando Francischini (PSL)

Fernando Francischini (PSL) pretende dar maior poder à Guarda Municipal, convertendo-a na primeira Polícia Municipal do Brasil. Pretende cumprir a promessa de tornar Curitiba a capital mais segura do país, integrando a nova Polícia Municipal aos órgãos de segurança estaduais, coordenando ações de inteligência com a utilização das câmeras da prefeitura e da iniciativa privada, para identificação facial e de placas de carro.

Goura (PDT)

Goura (PDT) tem como slogan “Curitiba feita por e para pessoas”, sintonizando seu plano de governo aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Organização das Nações Unidas (ONU) que garante a sustentabilidade econômica, ambiental e social. Tem como proposta o “Lixo Zero” reaproveitando 100% do que é descartado através de reciclagem, compostagem ou tratamento, propõe programas que visam harmonizar a vida urbana, garantindo o desenvolvimento econômico aliado ao desenvolvimento social e respeito ao meio ambiente.

João Arruda (MDB)

João Arruda (MDB) menciona na primeira página da sua proposta inovação e sustentabilidade. Propõe substituir todos os semáforos da Linha Verde por trincheiras ou viadutos, dando vazão à principal função da via que é a integração entre os bairros. Promete a criação de uma UPA móvel com atendimento de urgência e emergência.

João Guilherme (Novo)

João Guilherme (Novo) salienta a necessidade da retomada da economia no pós-pandemia, com programas de suporte temporário aos negócios locais e à segurança social dos mais vulneráveis. O Plano Econômico Municipal inclui um Fundo de Aval para micro e pequenas empresas, financiamento de impostos municipais em atraso, formação empreendedora e um programa emergencial à educação, prevendo a migração dos alunos da rede privada para a rede municipal.

Letícia Lanz (PSOL)

Letícia Lanz (PSol) traz o lema “A Curitiba que queremos” propondo alcançar tarifa zero para o transporte público, cobrando primeiramente uma taxa fixa de R$ 50 por mês para estudantes e desempregados e, a longo prazo, reaver a frota de ônibus para o poder público, podendo assim garantir sua gratuidade. Compromete-se com maior inclusão de mulheres, negros e do público LGBTQIA+, priorizando também os idosos, crianças, deficientes e a periferia. Promete o fechamento do centro da cidade aos veículos motorizados aos domingos, e incentiva a permacultura e comércios locais. Sugere o desenvolvimento de um aplicativo para incentivar trocas de itens diversos entre a população sem a utilização de dinheiro.

Marisa Lobo (Avante)

Marisa Lobo (Avante) escolheu o slogan “Curitiba Conservadora”, no entanto, seu plano de governo traz o programa “Participa Curitiba”, que consiste num aplicativo que permitiria que a população opinasse nas prioridades da gestão da prefeitura. Propõe ainda a interação em consultas públicas e num orçamento participativo, além da promoção de conferências para debate de políticas públicas, para o acompanhamento do Plano Diretor Municipal, podendo contar com a sugestão dos cidadãos para o aprimoramento dos movimentos sociais em conjunto com conselhos setoriais.

Paulo Opuszka (PT)

Paulo Opuszka (PT) defende que se a frota do transporte coletivo for propriedade do poder público, há sim a possibilidade da gratuidade da tarifa. Propõe a criação de um transporte de aplicativo metropolitano cooperativo, garantindo diretos trabalhistas e previdenciários aos motoristas. Ele se compromete a criar a Secretaria Municipal de Habitação e Desenvolvimento Urbano para implementação do programa “Moradia Primeiro” para viabilizar o direito humano fundamental abrangendo também a população em situação de rua.

Professora Samara (PSTU)

Professora Samara (PSTU) traz na capa do seu plano de governo o slogan “Por uma Curitiba socialista e governada pelos trabalhadores”. Propõe a retomada do projeto de implementação do metrô, alegando a eficiência incomparável da modalidade, alegando a redução de acidentes e da poluição indicando que o metrô transporta muito mais pessoas num menor espaço de tempo. Cita ainda que a obra será totalmente pública e que propiciará a geração de emprego fomentando a economia local, e posteriormente, a tarifa do modal será social com a intenção de zerá-la gradativamente.

Professor Mocellin (PV)

Professor Mocellin (PV) enfatiza propostas para uma cidade verde, com adoção de veículos elétricos para o transporte coletivo com faixas exclusivas, a substituição de faixas de estacionamento por ciclofaixas separadas dos pedestres e dos automóveis, sugere que a gestão do lixo seja integrada com as organizações de catadores garantindo remuneração pela prestação de serviços de triagem e comercialização não sendo mais remunerado por quilo/tonelada. Propõe também a criação de um canal de TV Municipal, voltado para a educação e cultura.

Rafael Greca (DEM)

Rafael Greca (DEM) defende o “Viva Curitiba”, no qual indica a continuidade das ações do seu mandato atual bem como o fortalecimento da economia no pós-pandemia, integrando todas as secretarias municipais nesta força-tarefa, em várias frentes como turismo, eventos tradicionais, ações culturais e a promoção de espaços públicos. Pretende ainda substituir gradativamente a frota de táxis para veículos elétricos.

Zé Boni (PTC)
Zé Boni (PTC) promete a redução do número de secretarias e corte pela metade dos cargos comissionados, propõe o aumento imediato do contingente da Guarda Municipal, a construção de um grande centro de convenções para shows e eventos culturais contendo um museu para abrigar exposições sobre a história da colonização de Curitiba. Promete a criação da Secretaria Municipal Cristã “com o objetivo de auxiliar igrejas evangélicas e católicas, ONG’s e demais instituições que promovam a recuperação do indivíduo”, e rigorosas auditorias na administração pública visando melhorar o serviço e evitar irregularidades.

Fonte: Bem Paraná