Praça conhecida por repressão a professores reúne candidatos em clima pacífico

clima pacífico do debate entre oito candidatos a prefeito de Curitiba na Praça Nossa Senhora Salete, e tranquilo entre militantes e interessados que assitiam ao evento em nada lembrava o ambiente pesado e a repressão de abril de 2015, quando a PM reprimiu no local uma manifestação de servidores e professores, deixando um saldo de mais de 200 pessoas feridas, a grande maioria professoras. Na ocasião, o então secretário de Segurança do governador Beto Richa, Fernando Francischini (PSL), comandou a ação conhecida como “Massacre” de 29 de abril. Agora candidato a prefeito, ele foi um dos concorrentes que participaram do evento desta quinta-feira, chamado Palco Aberto.

A candidata Camila Lanes (PCdoB) estava na praça naquele dia e disse “ter apanhado muito”. “Agradeço a ação da Guarda Municipal que evitou que me batessem mais”, declarou. A professora Samara Garratini (PSTU), que também disputa a prefeitura, contou que estava em sala de aula no dia, mas em seguida “foi ao local” e viu a gravidade da situação.

O também candidato, Paulo Opuzska (PT), dava aulas em outro Estado, mas defendeu três policiais militares que se recusaram a cumprir ordens de bater nos professores. Nesta quinta-feira, 29, propôs uma “caminhada pela democracia” na próxima semana com todos candidatos. A exemplo do primeiro encontro, realizado na semana passada em outra praça, Francischini cobrou a presença do prefeito Rafael Greca (DEM) no debate e sua promessa de uma “muralha digital”. “Vamos investir em inteligência na segurança”, disse.

O encontro na praça durou cerca de uma hora, reuniu pouco mais de cem pessoas, sendo a maioria apoiadores das candidaturas. O desempregado Célio Borba, de 51 anos, foi acompanhar o debate. “No horário eleitoral não há tempo para eles falarem e na praça tem como falar mais e a gente conhecer as propostas. Como morador da periferia, moro no Tatuquara, logo que soube comecei a assistir, quero ver as várias propostas”, disse.

Para ele, a questão das moradias é um dos maiores problemas. “Queria saber mais sobre habitação, até elaborei perguntas sobre os moradores de rua, vejo gente vinda de todos os lugares, o que falta para eles na cidade, muitas vezes não há jeito de ajudar esse povo e estamos virando um polo”, comentou. Não houve, no entanto, interação com a plateia e Borba ficou sem resposta para suas questões.

Também participaram do debate Goura Nataraj (PDT), João Arruda (MDB), o professor Renato Mocellin (PV), Eloy Casagrande (Rede) e Professora Samara Garratini (PSTU). Na última pesquisa Ibope, divulgada no último dia 22, Greca aparecia com 46% das intenções de voto, seguido por Goura (PDT) e Francischini (PSL) com 8%, Christiane Yared (PL) com 5%, João Arruda (MDB) e Carol Arns (Podemos) com 3%.

Fonte: Estadão